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Penha: Um memorial resgata a história do bairro

O projeto de criar um memorial começou quando os padres anunciaram que fariam uma nova reforma na igreja Nossa Senhora da Penha. Com isso, começou a ser criado e guardado um rico material fotográfico e documental sobre o bairro.


Ao relatar as razões da criação do Memorial Penha de França, o engenheiro Francisco Folco vai logo explicando que não se trata de um museu. “A idéia é preservar a memória e a história oral do bairro”, afirma. O espaço, aberto no final de 2004, ainda está em fase de organização, mas já reúne uma vasta documentação a respeito do bairro. São fotos, documentos e depoimentos orais de moradores que representam a história viva da Penha.

A foto mais antiga obtida pelo Memorial data de 1880 e retrata um homem em um cavalo. Há diversas fotos de família e algumas imagens curiosas, como a de um grupo de elefantes tomando a rua Betari. “Naquela época o circo percorria as ruas dos bairros para poder atrair a população”, explica Folco.


Memória coletiva

O projeto de criar um memorial começou quando os padres anunciaram que fariam uma nova reforma na igreja Nossa Senhora da Penha. Folco teve medo de que os afrescos pintados no teto da igreja por seu avô fossem perdidos, e tratou de reproduzi-los com sua câmera fotográfica. Ele aproveitou também para reproduzir fotos que encontrou guardadas no porão do prédio e que estavam mal-conservadas, se deteriorando com o tempo. “Todos os dias eu voltava lá”, lembra.

O trabalho do seu avô foi preservado na reforma, mas o episódio despertou Folco para a necessidade de recuperar documentos históricos do bairro que estavam se perdendo. Com um grupo formado por historiadores e arquitetos dedicou-se a resgatar este material e a tomar depoimentos. “As pessoas ficaram sabendo do que estávamos fazendo e trouxeram coisas que tinham em casa”, diz ele. O Memorial até já produziu um CD-ROM contando a história da Penha.

A imagem escolhida para a divulgação do Memorial é a de um bondinho, e há uma boa razão para isso: com apenas 20 mil habitantes, a Penha ganhou a segunda linha de bonde elétrico da cidade, em janeiro de 1901. A Linha 6 - Penha, devido ao longo percurso e semelhança com uma ferrovia, foi fator decisivo no processo de urbanização das regiões por onde passava a ex-Estrada da Penha. Graças a ela os bairros do Brás, Belém, Tatuapé e Penha apresentaram um crescimento significativo.

O sucesso do bonde foi tanto que a estação da estrada de ferro deixou de operar em 1904. Mas o progresso também fez com que os bondes se aposentassem: em abril de 1966 circulou o último bonde da Linha 7, partindo da Praça Oito de Setembro, na Penha, com destino à Praça Clóvis Bevilácqua, no centro.

O rio Tietê, que poderia ter funcionado como um entrave para a integração da Penha à cidade, cumpriu um papel econômico importante, segundo Folco. Além de servir como via de transporte, às margens do Tietê foram instalados estaleiros, pedreiras e um clube esportivo. Aliás, neste clube foi construída a primeira piscina do município.


Capital por um dia

Há vários fatos curiosos sobre a história da Penha recuperados pelo Memorial. Os livros de história escolares não devem retratar este episódio, mas é fato que o presidente da província de São Paulo conduziu por alguns dias seu governo de um posto policial no Largo do Rosário. Durante a Revolução de 1924, com o centro de São Paulo tomado pelos rebeldes, Carlos de Campos refugiou-se na Penha sob a proteção do exército legalista. O bairro era considerado estratégico e seguro por estar localizado 800 metros acima do nível do mar. “A Penha não tem grandes atrações turísticas para mostrar, não tem nenhum Cristo Redentor. O que nós temos é a nossa história”, resume Folco.

Serviço:
Memorial Penha de França
Endereço: Rua Betari, 560 - Penha
Telefone: (11) 6192-2319
O agendamento de visitas deve ser feito por telefone ou pelo e-mail bondepenha@terra.com.br.