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PERGUNTAS E RESPOSTAS

1) Por que a Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo - SMTrab produziu um Atlas Municipal?

A criação do Atlas do Trabalho e Desenvolvimento da Cidade de São Paulo - Atlas Municipal decorreu da constatação da falta de indicadores que apresentassem detalhadamente a situação de áreas específicas do município no que se refere a caracterização dos espaços e a condição de vida das pessoas e das famílias de cada região retratada através de variáveis como renda, desigualdade e educação, tipo de inserção no mercado de trabalho e taxas de atividade por exemplo.

2) Para que serve o Atlas Municipal?

O Atlas do Trabalho e Desenvolvimento da Cidade de São Paulo - Atlas Municipal foi concebido para servir como um instrumento de acesso a diversos indicadores sócioeconômicos, como por exemplo o Índice Paulista de Vulnerabilidade Social - IPVS e o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal - IDH-M, em nível intramunicipal, entre muitos outros, respeitando as áreas formalmente constituídas como Subprefeituras e Distritos além de criar áreas ainda mais específicas denominadas Unidades de Desenvolvimento Humano - UDH.

3) Qual a maior contribuição deste projeto para a Cidade de São Paulo?

A contribuição foi a construção do instrumento para processar informações em regiões específicas o que pode gerar maior efetividade ao planejamento das ações da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo - SMTrab, ao conjunto da administração municipal e a agentes privados e do terceiro setor que busquem um retrato preciso da população a qual se destina cada ação.

Isso é possível, pois a metodologia que recortou o município em 454 áreas buscou respeitar algumas condições essenciais:

  • O somatório de setores censitários;
  • A homogeneidade em termos sociais e econômicos;
  • A contigüidade espacial dos setores censitários agregados;
  • A proximidade das áreas;
  • Os limites espaciais de cada distrito;
  • O limite mínimo de 400 domicílios ou 16 mil habitantes para preservar o sigilo estatístico do IBGE e
  • No recorte das áreas foram, na medida do possível, respeitados os bairros como são reconhecidos popularmente, uma vez que não há delimitação oficia

4) Quais índices serão acompanhados?

Em princípio, os indicadores contidos no Atlas do Trabalho e Desenvolvimento da Cidade de São Paulo - Atlas Municipal serão utilizados para diagnosticar demandas estruturais de intervenção no nível local e os resultados destes programas já deverão ser apontados segundo as condições socioeconômicas ou regionais haja vista que dada a natureza de cada programa seu alcance pode se dar mais intensamente em áreas mais extremas da periferia ou para grupos sociais em condições mais fragilizadas.

Para os próximos meses há previsão de apresentar um mapeamento da atividade econômica formal segundo cada unidade de área criada, a espacialização dos resultados dos programas implementados pela Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo - SMTrab.

Um dos maiores desafios é produzir um indicador de acompanhamento do mercado de trabalho para o interior do mercado de trabalho. Por hora, estamos avaliando junto ao SEADE de duas possibilidades que seria uma atualização das condições de públicos específicos em diferentes pontos do tempo para avaliar o impacto de determinadas ações. Outra avaliação é o processamento de informações da Pesquisa de Emprego e Desemprego no Município – PED/Municipal, para áreas agrupadas pelo Índice Paulista de Vulnerabilidade Social - IPVS.

Quando da próxima atualização dos dados a partir do Censo do IBGE de 2010, aplicados a cada UDH agora criadas, poderemos comparar a evolução dos indicadores censitários intramunicipais dos últimos 20 anos, permitindo o monitoramento contínuo do Desenvolvimento socioeconômico do município.

Até lá estaremos atualizando indicadores específicos, por intermédio de pesquisas e estudos setoriais periódicos, através de convênio com a Fundação SEADE e DIEESE, possibilitando análises comparativas e atualizadas que permitam uma avaliação dos resultados obtidos, disponibilizando um instrumento preciso para as próximas tomadas de decisão, onde poderemos continuar monitorando os indicadores socioeconômicos dos grupos sociais de maior vulnerabilidade e acompanhar a sua evolução.

5) De que modo a sociedade poderá se beneficiar desse trabalho?

No primeiro momento a sociedade se beneficia pela identificação de especificidades locais, antes não conhecidas, que em uma análise por regiões das Subprefeituras ou por Distritos poderia estar camuflada por outros indicadores. Deste modo, a sociedade se beneficia com a implementação que estejam em linha com as condições de cada público em diferentes pontos do município que atendam a determinado critério. A melhora do processo de planejamento atende a população e aos princípios de buscar maior eficiência em suas ações.

6) De acordo com os resultados do Atlas Municipal, quais são os pontos mais frágeis da cidade de São Paulo?

Os mapas sobre educação e desemprego demonstram que áreas como o extremo leste que englobam distritos como Lajeado, Guaianases, Itaim Paulista, Vila Curuçá e Cidade Tiradentes possuem indicadores de escolaridade ainda piores. Além da zona leste verificamos piores resultados em todo o extremo sul incluindo os distritos do Grajaú, Jardim Ângela, Campo Limpo e Capão Redondo.

Na zona norte a alta precariedade está na Brasilândia, Cachoeirinha, Pirituba, Perus e Anhanguera.

Notadamente, a maior parte deles apresentou grande variação na população jovem entre os períodos censitários de modo que a perspectiva de público que deva ser atendido nestas áreas é crescente.

Na análise anterior consideramos o nível distrital e note-se que não chegamos a mencionar nenhum distrito da Subprefeitura de São Miguel, Ipiranga ou Vila Maria/Vila Guilherme, entretanto, quando se verifica o dado por UDH temos áreas mais precárias em relação ao mercado de trabalho e escolarização UDH’s como União de Vila Nova/Vila Nair (São Miguel), Heliópolis (Ipiranga) e Parque Novo Mundo (Vila Maria/Vila Guilherme).

Quando se considera o IDH-M que é uma síntese entre Longevidade, Renda e Educação verifica-se que áreas como Heliópolis e Parque Novo Mundo melhoram de situação o que pode já ter sido resultado de ações específicas que já atuaram sobre uma das dimensões do indicador de maneira que há indícios sobre quais a ações que ainda devem ser implementadas.

7) O Atlas Municipal já foi utilizado pela Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo - SMTrab em seu planejamento? Ele pode ser utilizado pela iniciativa privada e 3º setor também?

Sim. O Atlas Municipal vem auxiliando a SMTrab no processo de prospecção de locais potencialmente viáveis à expansão das agências de micro crédito do programa São Paulo Confia, também para a instalação de novas unidades do Centro de Apoio ao Trabalho do programa São Paulo Inclui, entre outras ações da Secretaria.

O Atlas Municipal também pode ser utilizado por outras entidades da administração pública municipal, bem como as instituições do 3º setor ou organizações da iniciativa privada.

A seguir algumas possibilidades de utilização:

a) Administração Pública.

No caso da administração pública pode-se utilizar o Atlas do Trabalho e Desenvolvimento da Cidade de São Paulo - Atlas Municipal para planejar a inserção adequada de ações ou equipamentos públicos para cada micro região do município (Unidade de Desenvolvimento Humano - UDH).

Possibilidade de aplicação do instrumento na delimitação do espectro ou área de atuação dos programas da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo – SMTrab, por exemplo:

  • Considerando as condicionantes do mercado de trabalho e que por vezes dificultam a inserção de determinados grupos no mercado formal do trabalho como bem se verifica nos registros administrativos.
  • Verifica-se que o grupo com maior viabilidade de inserção no mercado formal de trabalho é o de adultos jovens com pelo menos o 2º grau completo e que a maior parte dos vínculos ocorre nas regiões mais centrais do município ou em sua expansão.
  • Os indicadores do Atlas Municipal registram que há uma maior taxa de desemprego na periferia do município para o total da população bem como para cada extrato específico, o que significa dizer que a parcela da população menos instruída e de maior faixa etária permanece no mercado de trabalho na condição de desempregado ou ocupado de modo informal, sobretudo na periferia.
  • Deste modo, é pertinente instalar as ações de concessão de micro crédito e apoio ao empreendedorismo nas regiões cujos perfis correspondam as condições propostas anteriormente já que esta alternativa procura viabilizar instrumentos para que as atividades desenvolvidas como meio de subsistência se estruturem e confiram a esta parcela da população autonomia bem como se insira na estratégia de desenvolvimento local.
  • Deste modo, priorizam-se regiões com menores indicadores de IDH-M, áreas em expansão no município, população adulta economicamente ativa alta e com maiores níveis de informalidade, indicadores esses (dentre muito outros) contidos no Atlas Municipal..

O Atlas Municipal também serve como orientador para as demais Secretarias, Subprefeituras, ou outras instituições da administração pública, acerca do perfil da população em regiões que demandam intervenções em áreas específicas.

Como exemplo, o percentual de analfabetismo encontrado na Subprefeitura de São Miguel, para a faixa etária de 18 a 24, é de 2,07% enquanto em uma das suas UDH's, a União de Vila Nova/Vila Nair, o percentual é de 9,83%, contrastando com os percentuais das UDH's Vila Jacuí e Vila Rosário, na mesma Subprefeitura, com percentuais de 0,70% e 0,00%, respectivamente. Na UDH Jardim São Martinho/Pantanal o percentual é de 6,48%.

Observa-se também neste contexto que nas UDH's União de Vila Nova/Vila Nair e Jardim São Martinho/Pantanal mais de 60% dos jovens entre 18 e 24 anos não completaram o ensino fundamental, o que segundo dados do censo contidos no Atlas Municipal, representavam 3.600 jovens apenas nestas UDH's.

Tal disparidade de condições educacionais gera uma desvantagem de inserção no mercado de trabalho para os jovens destas regiões mesmo frente a membros de regiões vizinhas.

As intervenções tradicionais de capacitação para esta faixa etária na região produziriam efeito limitado em uma população com este perfil de modo que a demanda inicial seria de efetivamente criar condições para seu aprendizado o que considerando o perfil e a necessidade desta população demandaria a intervenção não apenas da educação, mas também da assistência e desenvolvimento social, cultura, subprefeituras, serviço, infra-estrutura e trabalho.

As considerações anteriores acerca da articulação entre diversos entes públicos da administração municipal ou mesmo de outras esferas resultam da observação preliminar dos dados da região em que se avaliaram outras variáveis como a renda do chefe do domicílio, anos de estudo do chefe do domicilio e percentual de informalidade no mercado de trabalho.

b) Iniciativa Privada.

O Atlas do Trabalho e Desenvolvimento da Cidade de São Paulo - Atlas Municipal também pode ser utilizado como fonte de indicadores para que empresas privadas façam a avaliação das regiões potencialmente viáveis para suas atividades e negócios.

A partir dos indicadores do Atlas Municipal é possível dimensionar a população da área e suas desagregações, verificar sua tendência ao longo do tempo, o nível de renda, a composição da renda e como se distribui entre a população da área.

Deste modo, a iniciativa privada a partir de um perfil socioeconômico previamente delimitado (estudo de produto-público/alvo) pode-se selecionar as áreas que apresentam a maior incidência com as características do perfil desejado ou ainda se o interesse for atingir um novo público há possibilidade de se selecionar o perfil pretendido (realizar pesquisa qualitativa sobre a região) e a partir daí decidir a localização de inserção do novo negócio para o desenvolvimento local, permitindo o dimensionamento das estratégias de preço, marcas, produtos, qualidade, estoques, logística, marketing etc.

Além disso, a administração pública também pode estimular a iniciativa privada a se inserir em determinadas áreas que venham sofrendo a implementação das ações de políticas públicas para o desenvolvimento local. Por exemplo, poderia estimular uma grande rede atacadista a se estabelecer em uma determinada área (emprego direto na região) que seja atendida pela concessão do micro crédito e com base em um acompanhamento dos empreendimentos (muitas vezes compram em grandes redes de modo desestruturado, individualmente e conseqüentemente mais oneroso) se garantiria um determinado nível de vendas ao grande fornecedor local.

8) Existem mitos sobre a avaliação das condições de vida em algumas regiões precárias do município?

Há alguma probabilidade da região pobre do município com maior visibilidade ser Heliópolis, já que é a maior em contingente populacional com estas características.

Contudo, a grande exposição desta UDH também a tornou objeto de diferentes ações ao longo do tempo e considerando que a sua dimensão pode ter algum impacto sobre seu dinamismo bem como sua localização, deve-se destacar que em muitas variáveis, como já foi mencionado, seus indicadores não são os piores quando comparados com os de outras UDH's, como podemos ver nos exemplos a seguir:

Figura 1

A figura 1 é um exemplo de como a valorização de uma área pobre frente a outras pode levar a avaliações equivocadas sobre a pobreza.

Em nenhum momento isso significa dizer que Heliópolis não seja uma área pobre e considerando sua dimensão há uma base muito grande de pessoas que devem ser alvo prioritário das mais variadas intervenções, contudo, áreas menos conhecidas apresentam condições de vida ainda mais precárias e devem ser objeto de esforço maciço e coletivo das iniciativas públicas, privadas e do 3º setor para que essas áreas alcancem melhores indicadores socioeconômicos em relação a outras áreas pobres.

Figura 2

A figura 2 mostra que as UDH's União da Vila Nova e Jardim Pantanal apresentam indicadores de Renda per Capita menores ainda que as já conhecidas Heliópolis e Paraisópolis, ou seja, do ponto de vista de renda per capita as duas primeiras são mais precárias que as outras duas.

9) Como o Atlas Municipal pode ajudar o planejamento de um empreendimento privado?

Alguém interessado em abrir um negócio, com base na avaliação da execução dos empreendimentos de um determinado setor ou ainda de acordo com o plano de instalação de uma determinada franquia, poderia estabelecer o perfil desejado do público alvo para o seu negócio.

A partir da definição acima descrita, o empreendedor pode localizar no Atlas Municipal as regiões da cidade que satisfaçam as condições do perfil desejado.

Por exemplo, se fossemos abrir uma Lavanderia de alto padrão que perfil de região poderia ser procurado?

  1. Alta representatividade da população adulta sobre o total da população residente nas regiões;
  2. Alta renda per capita;
  3. Alto rendimento do chefe do domicílio;
  4. Renda per capita do quinto e do décimo mais ricos;
  5. Taxa de participação no Mercado de Trabalho;
  6. Ocupados no setor público e em setores dinâmicos;
  7. Ocupados no trabalho formal;
  8. A razão entre o quinto mais rico e os 40% mais pobres (homogeneidade)
  9. etc

A partir destes critérios pode-se selecionar uma série de indicadores ou variáveis para que o Atlas Municipal apresente as UDH's que preencham os requisitos da análise, para então decidir onde é a região que reúne o maior número destes critérios socioeconômicos definidos para seu empreendimento.

A seguir mostramos alguns exemplos de mapas georeferenciados construídos pelo Atlas Municipal, a partir de alguns dos critérios definidos no exemplo acima:

Figura 3

Figura 4

Figura 5

Figura 6

Figura 7

Figura 8

Figura 9