As atividades desenvolvidas pelo Centro de Controle de Zoonoses do Município de São Paulo estão intrinsecamente relacionadas com as questões ambientais e a saúde coletiva. A população animal no meio urbano é diversificada: cães e gatos domiciliados e milhares de cães e gatos abandonados, além de animais sinantrópicos (ratos, baratas, mosquitos, pombos e morcegos, entre outros).

Objetivando diminuir a população de cães e gatos abandonados, controlar a população de sinantrópicos no Município de São Paulo e, conseqüentemente, o risco potencial de agravos causados à saúde da população humana por eles, foi implantado em 2002 o projeto “Para Viver de Bem com os Bichos“ junto às escolas, numa parceria do Centro de Controle de Zoonoses da Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa), da Secretaria Municipal da Saúde, com o Programa Escola Promotora da Saúde com o Setor de Projetos Especiais da Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura do Município de São Paulo.
Entre seus objetivos está o desenvolvimento de programações educativas visando o esclarecimento da população com relação aos conteúdos necessários para a prevenção e controle de zoonoses, bem como a atuação consciente e competente nas transformações da realidade para a melhoria das condições e qualidade de vida.
O projeto é embasado na visão de educação para resolução dos problemas concretos, por intermédio de enfoques interdisciplinares e de uma participação ativa e responsável dos indivíduos junto à coletividade. A população alvo é concebida como sujeito do processo e não mera executora de um modelo imposto.
De 2002 a 2007 foram trabalhadas 1486 Unidades Educacionais da rede municipal, estadual e particular de ensino.
As escolas que se interessaram em desenvolver o tema junto aos seus alunos e a comunidade escolar, receberam material técnico-didático específico, composto, entre outros, por fitas de vídeo sobre abandono de animais, manual do professor, cartilhas de exercícios, cartazes e folhetos. O desenvolvimento do projeto educativo é realizado em duas fases:
Fase I - Posse Responsável de Animais de Estimação
A superpopulação de cães e gatos em centros urbanos ocasiona inúmeros problemas: transmissão de zoonoses, como raiva, leptospirose, leishmaniose, entre outras; agressões envolvendo pessoas ou outros animais; contaminação ambiental por dejetos e pêlos e dispersão de lixo; distúrbios de trânsito de veículos, determinantes de acidentes, atropelamentos; danos à propriedade pública ou particular.
O controle destas populações representa um desafio constante para todas as sociedades, independentemente do grau de desenvolvimento sócio-econômico, devido ao grande laço afetivo que caracteriza a relação do homem com animais, sejam de raça ou não, filhotes ou velhos, machos ou fêmeas, soltos ou domiciliados.
A necessidade de controlar animais de estimação sempre envolve dois atores sociais. Ao proprietário cabe exercer o direito de possuir um animal, desde que de maneira responsável, ou seja, zelando pela sua saúde, pelo controle reprodutivo, pela destinação de filhotes e mantendo-o domiciliado. Ao poder público destinam-se as ações de controle dos animais errantes, com vistas à proteção da saúde pública, porém, com posturas humanitárias em relação a eles.
O grande desafio que se apresenta atualmente para esta instituição, diz respeito aos animais de estimação. Estima-se que a população de cães com proprietários seja de 1.541.294 e de gatos com proprietários seja 234.545, com razão de 1 cão para cada 7 habitantes e 1 gato para cada 46 habitantes (Paranhos, 2002).
O Centro de Controle de Zoonoses desenvolve ações para o controle dessas populações, através de programas de apreensão de animais errantes, vacinação massiva contra a raiva, registro de animais, adoção, doação para entidades de proteção animal, educação em saúde e eutanásia de animais remanescentes.
Em São Paulo, a realidade tem mostrado que o controle de populações de animais de estimação somente alcançará resultados se houver ampla e efetiva participação da sociedade envolvendo:
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Proprietários de animais assumindo posturas de posse responsável;
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Entidades de Proteção Animal difundindo o respeito à vida animal;
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Médicos Veterinários cumprindo o papel social na saúde pública;
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Serviços Públicos de qualidade, envolvidos na promoção da Saúde Pública, através de projetos educativos de controle de natalidade de populações animais, de medidas corretivas do meio ambiente e de fiscalização da aplicação de legislação vigente.
Somente o esforço coletivo e sinérgico dos vários segmentos da sociedade envolvidos na problemática poderá dar respostas aos anseios da população desta cidade que deseja e necessita ter um convívio mais saudável com seus animais de estimação.
Fase II - A Interação Meio Ambiente e Fauna Sinantrópica
A degradação do meio ambiente no mundo e seu efeito sobre as comunidades tem sido preocupação constante dos governos mundiais, principalmente nas últimas décadas.
A Agenda 21 Global, elaborada em 1992, tem como proposta básica o desenvolvimento sustentável, baseado na promoção e manutenção de um ambiente saudável, indivíduos saudáveis e desenvolvimento sem destruição dos recursos naturais. Daí a grande importância da educação ambiental, um campo essencialmente intersetorial, uma vez que se encarrega de todos os componentes do ambiente em que vivemos, tais como higiene das moradias, água e esgotamento sanitário, controle da poluição ambiental, qualidade dos alimentos, manejo ambiental, entre outros.
As instituições e Secretarias Municipais, em seus diferentes níveis, para cumprir com suas responsabilidades perante a saúde pública em geral e para a proteção e promoção da saúde ambiental em particular, devem manter os pontos de contato, tanto no âmbito dos setores e organizações quanto no âmbito da comunidade e seus indivíduos, estabelecendo parcerias e desenvolvendo projetos em conjunto.
Objetivos Gerais
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Facilitar a apropriação pelos munícipes, dos conteúdos e práticas necessárias à posse responsável de animais, controle de fauna sinantrópica e manejo ambiental adequado, de modo a prevenir agravos à saúde e agressões ao meio ambiente,
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Viabilizar a estruturação de serviços para a prática dos conteúdos do projeto.
Objetivos Específicos
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Estabelecer mecanismos para a adesão à causa da posse responsável, principalmente nas escolas da rede municipal, estadual e particular de ensino, desenvolvendo, nas crianças em idade escolar, atitudes de solidariedade e responsabilidade em relação aos animais;
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Equilibrar a população animal com conseqüente redução do índice de abandono e suas conseqüências, como maus tratos, doenças e agravos à saúde pública, bem como diminuir o número de animais submetidos à eutanásia no CCZ.
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Estimular a participação da população, em especial a em idade escolar, nas atividades voltadas para a conquista e manutenção de um meio ambiente que não forneça condições para o desenvolvimento de animais sinantrópicos.
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Discutir com o grupo em idade escolar, o problema dos animais sinantrópicos, sua relação com as condições ambientais e a forma de controlá-los;
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Proporcionar à população em geral e preferencialmente aos profissionais da área de educação dos setores público e privado, conhecimentos básicos sobre posse responsável;
Desenvolvimento
O CCZ divulga anualmente no Diário Oficial da Cidade (DOC) e também no site da Covisa, convite especialmente elaborado, contendo um resumo do projeto e a "Proposta de uma São Paulo saudável para Homens e Animais" para as Escolas do Município.
As Unidades Educacionais interessadas devem se inscrever nomeando um ou mais representantes para participar de curso de capacitação.
A Capacitação dos professores ocorre através de curso com 20 horas/aula sobre posse responsável de animais de estimação e animais sinantrópicos.
As Escolas inscritas recebem kit educativo composto pelos Vídeos "Criando um amigo” e “O rato não roeu” acompanhado dos Manuais do Educador/CCZ sobre Posse Responsável, Prevenção contra agressão por cães e gatos e Animais Sinantrópicos, além de cartilhas de sugestão de atividades.
Todo ano para finalizar a participação das escolas, o projeto prevê a realização do Concurso "Eu cuido, e você?" com premiação para os melhores trabalhos desenvolvidos, preferencialmente envolvendo a comunidade escolar e seu entorno. Os trabalhos serão divididos em três categorias:
- educação infantil
- ensino fundamental ciclo I
- ensino fundamental ciclo II
Recebem prêmios os três primeiros lugares de cada categoria.
Avaliação
Acompanhamento dos trabalhos desenvolvidos nas escolas e apresentados no concurso e/ou outros eventos.
Veja também:
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