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APA CAPIVARI-MONOS

CRATERA DE COLÔNIA


A Cratera de Colônia, inserida na Área de Proteção Ambiental Municipal do Capivari-Monos (criada pela Lei 13.136/2001), apresenta paisagem complexa, constituída por peculiaridades naturais – é uma possível cratera testemunho de fenômeno astronômico, resultado do impacto de um corpo celeste.

A sua paisagem reúne remanescentes de Mata Atlântica e de campos de várzea e se apresenta como sítio geológico de interesse cultural e histórico, protegido por legislação de tombamento por duas instâncias do poder público: Condephaat (estadual) e Conpresp (municipal).

A situação geomorfológica peculiar da Cratera é devida a uma área de várzea com formato circular, circundada externamente por colinas recobertas por vegetação de grande porte, condicionando o microclima e o sistema de drenagem interno. Na parte interna, as águas das nascentes que brotam na encosta correm para a parte baixa, onde se ajuntam para formar um curso d'água principal que corta a Cratera, saindo à nordeste da mesma.

O principal curso d’água, o ribeirão Vermelho, deságua no braço Taquacetuba da Billings, do qual a SABESP capta água para o Sistema Guarapiranga. A sua várzea ocupa área expressiva da Cratera, possui vegetação típica e importante função depuradora, protegendo os recursos hídricos que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo.

A parte recoberta pela Mata Atlântica apresenta solo turfoso e possui altíssima diversidade de epífitas, inclusive com espécies endêmicas.

A população de aproximadamente 30.000 pessoas instalada precariamente na área da Cratera de Colônia vive predominantemente no loteamento Vargem Grande. Na área da Cratera existem, ainda, propriedades rurais com atividades diversas e um presídio estadual.

O processo de assentamento do Condomínio Vargem Grande teve seu início em março de 1989 a partir da organização UNIFAG – União das Favelas do Grajaú – e está, desde 1996, sob a diretoria do ACHAVE – Associação dos Moradores de Vargem Grande.

Parte da população está assentada sobre a várzea, área de primeira categoria, inadequado para ocupação e que pode resultar na contaminação do lençol freático e das águas superficiais.

Os cerca de 5.580 lotes apresentam situação precária pois foram implantados sem rigores técnicos, não possuem canalização de esgoto e os moradores lançam efluentes em calhas que seguem para o Ribeirão Vermelho.


OS GUARANI

No território da APA Capivari-Monos, no distrito de Parelheiros vivem duas comunidades da nação Guarani, a Terra Indígena da Barragem; e a Terra Indígena Krucutu, com população respectivamente de 800 habitantes e 130 habitantes, segundo dados do Censo de 2000. Referidas aldeias, localizam-se na área de proteção aos mananciais, com áreas de 26,3 hectares, Terra Indígena da Barragem e 25,88 hectares, Terra Indígena do Krucutu.

Os Guarani representam uma das etnias mais resistentes da região centro-sul do Brasil, sobrevivendo inclusive à colonização européia.

Atualmente, formam uma população de aproximadamente 34 mil indivíduos no Brasil. Um aspecto importante a ser levado em consideração é a oscilação da população Guarani, vez que essa nação vive em um território que ultrapassa as fronteiras geográficas convencionadas pela cultura ocidental. No Brasil, os grupos Guarani ocupam pequenos territórios e muitas vezes, são obrigados a dividi-los com outros grupos, inclusive culturalmente distintos.

A existência de territórios demarcados, não garante a integridade de suas terras, que muitas vezes encontra-se em locais conflituosos, ou sofrendo com a pressão da expansão urbana, com vários núcleos urbanos ao seu redor, bem como, devido ao elevado número de vias de acesso, como é o caso dos dois aldeamentos em questão. A efetiva garantia da posse dos territórios tradicionalmente ocupados pelos povos indígenas é que poderá amortecer os impactos da expansão avassaladora da sociedade nacional. Nesse processo, que envolveu índios, indigenistas e órgãos do governo do estado tem um marco importante em abril de 1987, quando são publicados os decretos presidenciais homologando a demarcação de várias terras indígenas, inclusive a Barragem, Decreto nº 94223/87; e Krucutu, Decreto nº 94222/87. Atualmente no Estado de São Paulo, existem 20 áreas indígenas.

A problemática indígena envolvendo a garantia dos direitos ao seu território, é um dos aspectos cruciais a serem considerados no universo da realidade indígena em nosso país. A relação da sociedade Guarani, como a de qualquer outra cultura com o Espaço, é fundamental para a sua construção, porém nem todas as sociedades estabelecem uma relação com um território específico, mas reconhecem e buscam um território mitificado, independente do lugar que habitam, como é o caso dos povos Guarani e suas constantes migrações que não se confundem com os povos nômades, pois a relação com o território, está intimamente ligado com a busca da “terra sem males” e a noção de espaço, ligada à noção de sociedade. O lugar, chamado pelos indígenas de “Tekoá”, é necessário para a produção da cultura Guarani e é justamente a migração de um lugar para o outro, que sustenta a identidade Guarani. A noção de espaço para a cultura Guarani, transcende à simples conjuntura física, por esse motivo é que encontramos aldeias no interior da mata atlântica e na periferia da maior metrópole do país.

A dinâmica demográfica dos Guarani, é composta pelas migrações e pelo sistema de parentesco que é bem peculiar.

A base da vida social Guarani, encontra-se em suas relações familiares, que inclue os parentes consangüíneos, políticos e adotivos. A busca de cônjuges é um dos fatores que os levam a intensificar as viagens entre aldeias, muitas vezes fixando-se alguns lugares.

Um aspecto importante a ser ressaltado é a posição geográfica estratégica para as migrações Guarani, das aldeias do Morro da Saudade; Krucutu; e Jaraguá, seja para o litoral norte, sul ou ainda, para oeste.

As aldeias em questão, constituem o último reduto da história secular da presença indígena na região onde se localiza atualmente o município de São Paulo.