Com alta densidade de cortiços e concentração de catadores e moradores de rua, a região do Glicério será a primeira a receber ações do Projeto “Nós do Centro”, entre a Prefeitura de São Paulo e a União Européia. Coordenado pela Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), em parceria com as secretarias municipais do Trabalho, Cultura, Participação e Parceria, o Projeto de Inclusão Social Urbana prevê investimentos de 15 milhões de euros (cerca de R$ 45 milhões), em 4 anos, divididos entre União Européia e Prefeitura. Neste primeiro ano, serão investidos R$ 3 milhões.
O Projeto visa à inclusão social, econômica e cultural dos grupos mais vulneráveis da região central da cidade, e está alinhado com as metas gerais de cooperação da CE (Comissão Européia) para a integração social na economia mundial e redução da pobreza. O município de São Paulo é o único da América Latina a ter o projeto de Inclusão Social Urbana aprovado pela União Européia.
Segundo a Unidade Gestora, já foi feito o levantamento de todos os cortiços da região central, baseados em três fontes: cadastro de cortiços da Secretaria Municipal de Habitação; cadastro de cortiços do CDHU (Companhia do Desenvolvimento Habitacional e Urbano,vinculado ao Governo do Estado) e dados do IBGE 2000 dos setores censitários da região central. “Em cima desse cadastro único, faremos as visitas domiciliares para conhecer as demandas das pessoas que ali vivem”, explica o secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, ressaltando que o Cadastro Único é a “grande ferramenta” para se fazer esse diagnóstico. Nos 12 distritos da região central (Cambuci, Bela Vista, Santa Cecília, República, Sé, Bom Retiro, Consolação, Liberdade, Belém, Pari, Brás e Mooca) existem aproximadamente 60 mil moradores de cortiços.
Além da SMADS, a Unidade Gestora é formada também pelas secretarias municipais da Cultura, do Trabalho e de Participação e Parcerias, por meio da Coordenadoria Especial da Mulher, com assessoria da Secretaria Municipal de Relações Internacionais. A Unidade funciona em um escritório da Galeria Olido.
O primeiro Escritório de Inclusão Social foi instalado no Glicério em agosto de 2006. “Em vez de 4 escritórios previstos inicialmente, teremos 10, sempre instalados em regiões com alta densidade de cortiços”, explica o secretário. Segundo ele, cada escritório elaborará junto com a população e as ongs o Plano de Desenvolvimento Local para a sua área, de acordo com as características locais.
“O objetivo deste Projeto é aumentar o nível de renda, elevar o padrão de vida e melhorar a situação social dos grupos mais vulneráveis que vivem na região do centro de São Paulo”, afirma o secretário de SMADS. São famílias que vivem em cortiços, com baixa e até nenhuma renda, entre elas moradores de rua.
O Escritório de Inclusão Social é um espaço que disponibiliza computadores com acesso à internet para a população, além de salas e espaços para eventos, encontros comunitários e oficinas. A meta desse escritório é, em conjunto com a comunidade, desenvolver um Plano de Desenvolvimento Local e entregá-lo ao secretário da Assistência Social e ao prefeito em janeiro de 2007.
Piloto é no Glicério
Em agosto, começou a capacitação profissional em construção civil (360 vagas), zeladoria urbana e restauro (100 vagas) e jardinagem e paisagismo (60 vagas) para 520 jovens da região do Glicério. Em quatro anos, a meta é capacitar 4.900 jovens. “Com essa capacitação, esses jovens estarão aptos a trabalhar em obras de restauro no centro da cidade e terão à disposição abertura de microcrédito para possíveis cooperativas e microempresas”, afirma o secretário da Assistência e Desenvolvimento Social.
Também foram capacitadas 60 mulheres do Glicério e com isso estão aptas a exercer o papel de agentes multiplicadoras em questões de gênero. Até o final do convênio, a meta é capacitar 420 agentes que, após a capacitação, irão multiplicar esses conhecimentos em suas comunidades através de palestras e encontros sobre violência na mulher, gravidez precoce e outros assuntos relativos ao tema.
(Dezembro/2006)