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Leivinha e a outra Copa da Alemanha

08/06/2006 - Esportes

Eder Brito

Dia 13 de junho a seleção brasileira estréia na Copa do Mundo de 2006. E há 32 anos, neste mesmo dia, começava outra Copa, também realizada na Alemanha. A pressão do favoritismo da seleção canarinho em 1974, era bem parecida com a de 2006. O Brasil tinha conquistado definitivamente a Taça Jules Rimet, com o tricampeonato no México, em 1970, graças à seleção que tinha Pelé, Rivelino, Jairzinho e Tostão. Em 2002, o Brasil ganhou o pentacampeonato e aparece como principal candidato ao título de 2006.

“A Copa de 70 tinha um ataque que era tão bom ou até melhor do que este da Copa de 2006. E o Brasil tinha sido tricampeão, então a gente tinha esta responsabilidade de continuar ganhando Copas. Mas na Copa de 74, era uma seleção inferior a de 1970”. Quem explica a teoria é alguém que esteve na Alemanha naqueles dias. João Leiva Campos Filho, o Leivinha, foi convocado por Zagallo e fez parte da seleção brasileira que ficou em quarto lugar naquela Copa.

No seu trabalho atual, Leivinha agora é Leiva, um dos supervisores do Mais Esporte, programa da Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação da Cidade de São Paulo, que busca a inclusão social de crianças e adolescentes da periferia, através da prática esportiva. “Eu sempre tive muita identificação com a criança. Talvez pelo visual, por ter cabelo comprido, cara de garoto, era realmente adorado pela criançada”, explica Leiva. O ex-jogador ainda descobre mais uma semelhança com a Copa de 2006. “Guardando as proporções, eu era como o Robinho é hoje, principalmente quando ele estava no Santos”, analisa, citando o atacante que defende a seleção brasileira neste ano na “outra” Copa da Alemanha.

Com o fim da carreira de jogador, Leivinha encontrou no Mais Esporte uma ferramenta para realizar um sonho. “Quando eu parei de jogar, sempre quis fazer este trabalho, nunca quis ser treinador, nada de profissional. Tive escolinhas particulares de futebol, até que apareceu o Mais Esporte, com o trabalho desta garotada de periferia, que no fundo, no fundo, era o que eu sempre quis fazer”, desabafa.

Além das passagens pela seleção brasileira e a “outra” Copa da Alemanha disputada em 74, Leivinha também ficou famoso pelos gols de cabeça que marcou em sua vitoriosa carreira dentro do Palmeiras, na década de 70. “Eu tinha boa impulsão e era relativamente alto para a época: tenho 1,80m. Eu treinava o cabeceio à parte, porque não basta ter impulsão. Também tem que ter o tempo da bola e saber como se colocar dentro da área”, revela. E será que é possível ensinar aos garotos do Mais Esporte como se tornar um bom cabeceador? “Dá pra ensinar um garoto, mas nossa preocupação é a inclusão social. A gente não se preocupa com muita técnica. Queremos tirar o garoto da rua”.

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