Do Pacaembu ao Parque Antarctica
02/05/2006 -
Esportes
Eder Brito
Edu nasceu no dia 25 de outubro de 1948, na Avenida Pacaembu, perto do estádio municipal que hoje é considerado a casa do Corinthians, principal rival do Palmeiras, time onde ele se consagrou. O paulistano Edu sempre quis ser jogador de futebol. “Acordar às sete da manhã para trabalhar era ruim. Mas se me chamasse as seis pra jogar bola, eu iria”, relata.
Quinto filho de uma família de onze irmãos, Edu não teve muita facilidade para realizar este sonho. “Eu fui metalúrgico. Só tínhamos eu, meu pai e um irmão em casa. O resto eram todas mulheres, tinha que dar um jeito”, desabafa. “Eu vivia muito na rua. Na minha infância em São Paulo, nós tínhamos diversos campos. Principalmente na Barra Funda, onde fica a rodoviária hoje. Muitos amigos jogaram junto comigo, mas não tiveram a felicidade que eu tive. Eu só queria jogar futebol”, termina.
Depois de trabalhar como metalúrgico e servir no exército, Edu viu surgir a oportunidade de tornar-se profissional. Entrou no time da Portuguesa em 1968, onde teve sua primeira experiência como jogador de futebol. De lá, foi para o Palmeiras em 69, onde ficou até 1978, conseguindo dois títulos brasileiros, quatro paulistas e vários torneios internacionais como o Rámon de Carranza, por exemplo. “Mesmo assim, eu acho que todos os títulos em todos os clubes que passei são importantes. O campeonato é uma luta de quase um ano”, teoriza o ex-jogador.
Além do Palmeiras, Edu Bala também teve passagens pelo São Paulo (1978), Sport Recife (1979-1984), Desportiva do Espírito Santo (1985), Universidad Católica do Chile, Marsílio Dias de Santa Catarina, Saltense e SãoCarlense, ambos do interior de São Paulo. “Depois disto eu parei porque já estava com 40 anos”, conta, sorrindo. “A experiência internacional no Chile foi boa, mas acabou logo. “Eu fiquei lá um ano, mas vim embora por causa do frio. Eu não gosto muito do frio”, confessa.
Quando a carreira de Edu acabou, a principal dificuldade foi psicológica. “Os três primeiros meses são a principal dificuldade. Você está acostumado a treinar todo dia, ver seu nome na televisão e nas bancas, ouvir a torcida gritar. E tudo acaba. Você tem que ter consciência para começar e parar de jogar. E parar é muito mais difícil do que começar”, esclarece o ex-ponta direita.
Agora mais tranqüilo e mais conformado com o fim da carreira, Edu se mostra sempre muito grato ao futebol. “O futebol me deu muita coisa, principalmente um pouco de cultura. Tive a felicidade de ser jogador e dar estabilidade para a minha família. Não tenho queixas do futebol. No futebol eu só fiz amigos”. Alguns destes amigos ainda estão presentes na vida e na memória de Edu. Ele se lembra com carinho de Héctor Silva, jogador uruguaio que atuou no Palmeiras na década de 70 e que, segundo ele, o ajudou muito. Também mostra que levou os amigos do campo para fora dos gramados. “Um jogador que me ajudou e que deu a condição de aparecer muito mais dentro de campo foi o Héctor Silva. O Dudu e o Leão também são peças fundamentais na minha vida particular”, explica.
Casado há 23 anos, pai de dois filhos (uma filha de 20 e um filho de 24 anos), Edu parece não se arrepender de nada que aconteceu em sua extensa carreira. Não ter jogado uma Copa do Mundo, por exemplo, não afetou em nada a sua paixão pelo futebol. “Eu joguei apenas as eliminatórias das copas de 70 e de 74. Mas não ter ido jogar a copa não muda nada. Eu tenho consciência de que joguei em uma época que tinham muitos jogadores melhores que eu”, esclarece.
Atuando há nove anos como treinador dos garotos em Pirituba, Edu sabe quais são os principais valores a serem ensinados para crianças que moram e estão crescendo na periferia. “Isto é um trabalho social. É necessário falar das dificuldades da carreira e dizer como tudo aconteceu de verdade. Falar principalmente das dificuldades de ouvir um não”, explana o ex-jogador. “O meu objetivo é dar a estas crianças uma condição boa para eles serem alguém na vida. Se não puderem ser jogadores, tem de ser cidadãos, honestos e corretos”, desabafa.
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