Edu Bala: velocidade não é tão importante
02/05/2006 -
Esportes
Eder Brito
Já passa das dez da manhã e o treino está quase no fim. Os garotos chegaram às 7h30 no Clube da Cidade Pirituba. Provavelmente, a fome já está chegando. O técnico do time grita: “Toca a bola! Não vamos perder esta bola no meio de bobeira!”. O garoto ouve o grito do técnico e olha com cara de resignado. Mas sabe que apesar do grito, a raiva passa longe dele. “Ele é muito legal. Só fica bravo quando alguém o tira do sério”, explica Bruno de Campos, 12 anos, meio-campo da equipe infantil de futebol no clube. “Ele treina bem, ensina bastante coisa pra gente”, emenda Caio Souza Silva, também de 12 anos, ponta-esquerda que joga no mesmo time há dois anos.
Dez e meia. Acaba o treino. Chegou a hora do lanche. O cardápio oferece suco de uva e pão sovado. O treinador está muito mais descontraído agora. É como se fosse o pai daqueles garotos. “Mais um suco? Você já não tomou suco?”, pergunta a um dos meninos, sorrindo.
O dono do sorriso é Carlos Eduardo da Silva, 57 anos, ex-jogador de futebol e hoje técnico dos times infantil e juvenil no Clube da Cidade Pirituba. Ele é um dos treinadores do Mais Esporte, programa da Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação da Cidade de São Paulo, que tem como principal objetivo a inclusão social por meio do esporte. Para o futebol brasileiro, no entanto, seu nome sempre será Edu Bala.
“Quem me deu este apelido foi o Osmar Santos, um locutor muito importante na carreira de muitos jogadores”, explica o ex-ponta direita. O auge da carreira de Edu foi no Palmeiras, onde ficou de 1969 a 1978. A velocidade era sua principal característica. “Quando Ademir da Guia queria colocar velocidade no jogo, sabia muito bem quem deveria lançar”, diz o site oficial do Palmeiras. “A velocidade funciona desde que você tenha dois bons meias que te dêem condições de ser veloz no time”, explica Edu. “O importante não é só a velocidade. É o arranque. Se você arrancar bem, vai embora”, completa.
Os garotos acabam o lanche e vão saindo. Todos têm que ir pra escola. É uma das exigências do programa Mais Esporte e também de Edu. “Ele sempre manda a gente ir pra escola”, conta Caio.
O vestiário fica vazio. O papo continua. Tudo com muita calma. Velocidade não é mesmo tão importante assim.
Saiba mais:
- A carreira de Edu Bala
- O Programa Mais Esporte
|