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Novas Operações Urbanas irão revalorizar quatro regiões

01/09/2004 - Comunicação e Informação

A Prefeitura apresentou nesta quarta-feira (1º) os projetos de quatro novas operações urbanas. São elas: Butantã-Vila Sonia, ao longo da nova linha 4 do metrô; Vila Leopoldina-Jaguaré, na região da Ceagesp; da Vila Maria-Campo de Marte; e a Diagonal Sul (os bairros de Vila Prudente, Ipiranga, Mooca, Brás e Pari). Até o dia 15 de setembro, os projetos estarão em exposição no saguão do Palácio do Anhangabaú.

Atualmente, há cinco operações aprovadas pela Câmara.

Até 2001, havia três leis com um modelo anterior, mas sem um projeto urbanístico: Faria Lima, Água Branca e Centro. A Operação Água Espraiada, a primeira a ser aprovada nesta gestão (2001), tem projeto urbanístico. Em 2004 foi projetada e aprovada a lei que estabelece a Operação Urbana Rio Verde-Jacu.

O Plano Diretor Estratégico, aprovado em 2002, estabeleceu nove novas operações urbanas. Durante a elaboração dos planos regionais foi proposta a criação de uma décima operação. As equipes da Secretaria do Planejamento ainda elaboram outras cinco operações (Diagonal Norte, Celso Garcia, Santo Amaro, Tiquatira e Capela do Socorro).

Os quatro projetos estarão expostos no saguão do Palácio do Anhangabaú até o dia 15 de setembro. Leia abaixo detalhes das propostas.

Operação Urbana Vila Leopoldina/Jaguaré

O perímetro da Operação Urbana Vila Leopoldina-Jaguaré compreende uma área de 1.028 hectares (ha) na Subprefeitura da Lapa, entorno da Ceagesp. Os antigos distritos industriais do Jaguaré e Vila Leopoldina têm dado lugar a prédios de apartamentos, devido pelo desenvolvimento do vetor Oeste de expansão da cidade, em especial na Vila Leopoldina.

Recentemente, a concentração de novos lançamentos residenciais e o esvaziamento de galpões industriais têm apontado para a transformação da região, com a construção de torres isoladas no lote.

A proposta é ligar as avenidas presidente Altino e Gastão Vidigal por sobre o rio Pinheiros, ao longo da avenida Alexandre Mackenzie e rua Hayden. Ao longo deste novo centro deverão se articular atividades comerciais variadas, voltadas para um amplo espaço público previsto. Haverá uma valorização e redesenho da área e das atividades da Ceagesp, como forma de integrar o entreposto à vizinhança.

Do ponto de vista do adensamento e da habitação, a operação coloca novos parâmetros de altura das edificações, taxa de ocupação, coeficientes de aproveitamento, recuos e volume. O incentivo à mistura de usos propõe uma nova forma de garantir um ambiente urbano agradável e equilibrado, evitando deslocamentos desnecessários.

Neste sentido propõe-se o adensamento habitacional, além da criação de pólos principalmente nas regiões da Bela Aliança, Vila Leopoldina e Jaguaré, além da previsão de continuidade do processo de adensamento ao longo da rua Carlos Weber. O novo parcelamento das quadras oriundas do loteamento industrial deve definir espaços com escalas urbanas mais agradáveis e percursos menores. Redesenho das vias Imperatriz Leopoldina e Carlos Weber pretende adequá-las às novas atividades e funções que já vêm desempenhando. Prevê-se ainda a execução de obras de melhorias na Favela do Jaguaré, além da criação de ZEIS no perímetro, para abrigar população proveniente de assentamentos subnormais da área e de outras regiões da cidade.

Quanto ao sistema viário e ao transporte, prevê-se pontes sobre os rios Tietê e Pinheiros ligando a área à rodovia Anhangüera e região Norte da cidade. E a melhoria da ligação com a rodovia Raposo Tavares, pelo prolongamento proposto para a avenida Escola Politécnica, aliviando o tráfego pesado da avenida Jaguaré e da rua Alvarenga. A avenida Alexandre Mackenzie será beneficiada pelo prolongamento da rua Hayden, com uma ponte sobre o Rio Pinheiros. E ainda a criação de uma nova avenida paralela à Marginal do Tietê, fazendo a ligação entre a ponte Vila dos Remédios e a Lapa de Baixo e a avenida Marquês de São Vicente. Prevê-se também a relocação das estações de trem da CPTM e a localização estratégica de três estações das futuras linhas 8 e 2 do metrô, que passam pela área, como forma de compatibilizá-las com os usos e adensamentos propostos.

Quanto ao meio ambiente, propõe-se a criação de novas áreas verdes, marcadamente dois grandes parques públicos, nas antigas áreas da Usina de Compostagem da Vila Leopoldina e da Sabesp, com cerca de 255 mil m² e em trecho próximo ao final da rodovia Castelo Branco, com cerca de 194 mil m². E dois grandes espaços ao longo do eixo Alexandre Mackenzie - rua Hayden, com cerca de 157.000 m², deverão conter em seu desenho o destamponamento dos córregos Alexandre Mackenzie e Hayden, como forma de contribuir para a melhoria do sistema de drenagem local e compor espaço urbano agradável e de qualidade.

Estão também previstas várias pequenas áreas livres verdes no interior da malha urbana, além da utilização coletiva de espaços semipúblicos de edifícios privados como áreas de lazer e de circulação de pedestres.

Esta prevista a criação de uma Cidade do Tênis em um terreno de cerca de 150 mil m² contíguos ao Parque Villa Lobos, na confluência das avenidas Queirós Filho e pista local da Marginal do Rio Pinheiros.

Operação Urbana Diagonal Sul

O Plano Diretor Estratégico (PDE) identificou o grande "vazio de oportunidades", que corta a cidade em diagonal, da divisa com São Caetano do Sul até Pirituba e Perus. Esta região, que tangencia o Centro, foi gerada pela estrada de ferro que, na segunda metade do século XIX, transportava café do Interior para Santos, sem poder alcançar o núcleo urbano acomodado na colina triangular entre os vales do Tamanduateí e do Anhangabaú. Posteriormente localizaram-se grandes galpões industriais na região, servidos ou não pela ferrovia. E, atualmente, a mudança global na maneira de produzir, terceirizando e automatizando as operações fabris, resultou em grande ociosidade do território, com galpões e pátios ferroviários escassamente usados.

A Operação Diagonal Sul mede cerca de 20 milhões de m² (2.000 ha) e objetiva a revitalização do uso desse território, beneficiando os bairros do Ipiranga, Vila Prudente, Mooca, Brás e Pari. Por outro lado, a Operação Diagonal Norte começa a ser implantada mediante a revisão da Operação Água Branca para inserção nela do Bairro Novo, resultante de concurso nacional.

A Operação Diagonal Sul trará moradores de volta a seus bairros, diversificando o uso do solo; adaptará edificações de interesse histórico e arquitetônico e reurbanizará as favelas existentes. Sua importância para o desenvolvimento urbano foi reconhecida pelo BID, que incluiu seu projeto no financiamento da Operação Centro. Assim sendo, a execução do projeto obedecerá a cronograma e etapas debatidos com a EMURB e o Banco.

Está em licitação, no âmbito do Programa Ação Centro, a elaboração dos seguintes estudos específicos:

- Estudo de melhoria da qualidade da água do Tamanduateí

- Inventário dos bens culturais da Mooca, Ipiranga e Vila Prudente

- Mapeamento de áreas com problemas de contaminação: solo, subsolo e água

- Levantamento e análise imobiliária

- Planejamento da infra-estrutura viária

- Plano-Referência de Intervenção e Ordenação Urbanística

Do ponto de vista do adensamento, revitalização de uso do solo e habitação, as diretrizes de projeto enfatizam as quatro importantes intervenções em torno de estações, que serão projetadas como transposições e centralidades: transposição da estação Tamanduateí, estação Ipiranga, estação Mooca e estação Largo da Concórdia. Outra centralidade será projetada para o atual pátio do Pari. Nas áreas de centralidade será permitido alcançar o coeficiente máximo de aproveitamento. As áreas de favelas existentes, bem assim aquelas discriminadas como ZEIS, contarão com recursos da Operação para reurbanização.

Do ponto de vista do sistema viário e do transporte, o projeto se caracterizará pela implantação do sistema de transporte de massa de passageiros, integrando-se por meio da CPTM à rede urbana, com conexões com o Metrô nas novas estações Tamanduateí (linha D) e no Largo da Concórdia (linha 3/vermelha). A CPTM estudará três hipóteses para a cota desses trilhos: sobre o solo, em trincheira e subterrâneas, para parte ou toda a linha. A ferrovia destinada a carga, privatizada pela Rede Federal, irá gradualmente se atrofiando, à medida que se construa o ferro-anel. O sistema viário será revisto tendo por objetivo ligar os dois lados do mesmo bairro, atualmente separados pela estrada de ferro, e criando-se uma seqüência de vias tangentes à área.

Do ponto de vista do meio ambiente, será criado um extenso sistema de áreas verdes, permeáveis longitudinalmente e distribuído ao longo de toda superfície da área de operação urbana que se situa no vale do Tamanduateí.

Operação Urbana Butantã-Vila Sônia

A Operação Urbana mede cerca de 633 hectares e tem por eixo a nova linha 4 (amarela) do Metrô, ocupando áreas da Subprefeitura do Butantã. Estende-se ao longo das avenidas Francisco Morato e Eliseu de Almeida e incorpora a AIU prevista em torno da avenida Corifeu de Azevedo Marques. Duas rodovias (Régis Bittencourt e Raposo Tavares) originam-se neste território.

Do ponto de vista do adensamento e da habitação, a Operação propõe elevar a densidade e o coeficiente máximo na Vila Sônia ao longo da avenida Ministro Laudo Ferreira Camargo e do seu encontro com a Eliseu de Almeida, na área contígua ao pátio e estação do Metrô. Propõe também um núcleo mais adensado ao longo da avenida Eiras Garcia, indicada como AIU no plano da Subprefeitura do Butantã, e, neste bairro, na área definida pela avenida Vital Brasil, com desenho que permita garantir largas calçadas em frente a lojas, cinemas e a mistura de habitações com locais de trabalho, na proximidade da estação Butantã do Metrô, servindo igualmente de centralidade para os moradores da zona residencial próxima à Cidade Universitária.

As ZEIS do Jardim Jaqueline e Vale da Esperança (1.300 unidades de habitação em quase 15 ha de terreno) serão urbanizadas com recursos desta Operação, removendo-se, contudo, as habitações que se situarem em áreas de risco.

Do ponto de vista do sistema viário estrutural propõem-se as seguintes alterações: redesenho da avenida Ministro Laudo Ferreira Camargo, ligando diretamente à Raposo Tavares com a estação de Metrô de Vila Sônia, à qual será acoplada a Estação Rodoviária Sul, destinada a receber os ônibus intermunicipais que vêm do Sul da região metropolitana e do país. A avenida Eliseu de Almeida receberá tratamento paisagístico que incorpore em sua paisagem as áreas verdes que existem na encosta do lado Oeste e se propõe a manter aberto o canal do Pirajussara, após a conclusão dos piscinões previstos a montante. Esta avenida será tratada como avenida-parque, recebendo uma ciclovia em sua extensão.

A avenida João Jorge Saad, que parte do Estádio do Morumbi, será prolongada até a Corifeu de Azevedo Marques, passando em túnel sob o Parque da Previdência, constituindo nova alternativa que alivia o trânsito do Butantã. O sistema viário de Vila Sônia será melhorado mediante um anel que circundará seu centro, a ser adensado.

Do ponto de vista do meio ambiente, a Operação propõe a implantação de um parque linear ao longo do córrego da Água Podre, a recuperação do Parque Raposo Tavares e a interligação e recuperação dos parques da Previdência e Luis Carlos Prestes.

Operação Urbana Vila Maria-Campo de Marte

A Operação Urbana Vila Maria-Campo de Marte, com 1.834 ha se insere em um trecho da várzea do rio Tietê ocupada de forma descontínua e diversificada. Há, na região, equipamentos com atividades de importância metropolitana, que realizam eventos de grande afluência de público, ou comerciais, de elevada atração de pessoas, os quais não trazem benefícios para o local, à altura da dinâmica que geram. A Operação Urbana aprofunda as diretrizes dos Planos Regionais e das áreas de intervenção urbana (AIU) neles previstas. Ela busca criar a oportunidade para que se alterem essas condições, a partir de incentivos para novos investimentos que obedeçam às diretrizes traçadas pelo projeto urbanístico.

Do ponto de vista do adensamento e da habitação, a configuração de eixo central (a partir da avenida Olavo Fontoura, prolongando-se por vias existentes até o encontro da rua São Quirino com a avenida Nadir Dias de Figueiredo), no sentido Leste a Oeste, visa garantir mobilidade nessa direção e possibilitar ocupação mais intensa do solo nessa faixa, dando maior aproveitamento à infra-estrutura já existente.

O redesenho cria as condições para que sejam implantados outros recursos urbanos, como é o caso da futura linha 8 do Metrô, a partir da Vila Maria, cruzando a linha Norte-Sul na altura da Rodoviária Tietê, prosseguindo com estações no Campo de Marte, Parque Anhembi e prolongado-se pela Casa Verde.

Visando ainda promover maior adensamento da ocupação, entre as vias estruturais Santos Dumont e Cruzeiro do Sul, situa-se a região percorrida pela rua Voluntários da Pátria e, no seu prolongamento, a avenida Tiradentes, que é tratada como dois pequenos bairros, servindo a Voluntários como centralidade linear local. De forma semelhante, na porção Sul, no trecho pertencente à Subprefeitura da Sé, propõe-se tratamento específico para o chamado bairro da Ponte Pequena, entre a Tiradentes e a Cruzeiro do Sul. Nesta área, hoje ocupada por sobrados e galpões, seriam mantidas e ampliadas as áreas verdes e criada uma praça central, voltando-se a vida de bairro para ela, dando as costas para o tráfego de passagem que passa pelas duas avenidas laterais mencionadas. Neste bairro, servido pela estação Armênia do metrô, será implantado um equipamento esportivo: o Palácio das Lutas, destinado á formação de esportistas e competições de boxe, judô, artes marciais e esgrima.

Quanto ao sistema viário e do transporte, a Operação propõe dar às avenidas Braz Leme e Maria Cândida um caráter de via-parque e de centralidade linear. Constituirá, assim, via paralela à marginal do Tiete, cumprindo função semelhante à da Faria Lima, na região do Pinheiros, e a da Marquês de São Vicente, na região do Tietê.

Em relação ao meio ambiente, além da existência do Parque da Juventude no Carandiru, propõe-se dois parques lineares ao longo do córrego da Divisa e do córrego dos Carajás, que se inicia no Parque Domingos Luiz e atinge a margem do Tietê. A operação propõe algumas alternativas para ampliar a função social do Campo de Marte, cuja pista tem uso escasso. Uma opção é a de manter o heliporto e o hospital da Aeronáutica, implantando na região da pista um grande parque público aquático com áreas esportivas e de lazer destinadas à população da região Norte da cidade. Propõe-se também a construção de novo pavilhão de exposições integrado ao Parque Anhembi.

 

 

 

 



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