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1ª etapa das obras do Mercado Municipal é inaugurada nesta quinta-feira

25/08/2004 - Abastecimento

A Prefeitura de São Paulo realiza nesta quinta-feira (26), a partir das 15h30, a cerimônia oficial de inauguração da 1ª etapa de obras no Complexo de Abastecimento Cantareira, com a entrega do Mercado Municipal Paulistano reformado após as obras iniciadas em agosto de 2003. No evento de inauguração, o vice-prefeito, Hélio Bicudo, acompanhado do secretário municipal de Abastecimento, Valdemir Garreta, e convidados visitarão as novas instalações do Mercado, como o mezanino, o subsolo e o antigo Salão de Leilões (hoje Salão de Eventos), que foi totalmente restaurado.

Após o percurso, haverá descerramento da placa e lançamento de dois produtos culturais sobre a história do Mercado até os dias de hoje: exposição fotográfica de Iatã Cannabrava e Glória Flugel, e o livro "Mercadão: o Novo e o Velho Mercado de São Paulo", da FormArte Editorial.

À noite, será inaugurada a nova Iluminação Monumental instalada ao redor de todo o edifício.

Com uma área construída total de 12.600 m2,  o Mercado Municipal - um dos símbolos mais importantes da arquitetura paulistana - ganha agora, com o acompanhamento dos órgãos de patrimônio histórico, mais 8.000 m2 entre áreas construídas e reaproveitadas. Além dos 281 boxes que comercializam alimentos variados, o local passa a abrigar nove restaurantes de cozinhas de diferentes especialidades, além de padaria, choperia e uma ampla área de serviços que inclui sanitários, fraldário e vestiário. A fachada recebeu pintura original e será valorizada pela chamada "iluminação monumental", o piso foi trocado por placas de granito, o telhado foi reformado e os vitrais, recuperados. Todos os acessos às dependências do Mercado foram planejados de forma a atender as necessidades dos portadores de necessidades especiais. Tudo isso foi feito com base em uma logística especial na obra, que garantiu, durante toda a reforma, o funcionamento normal do Mercado em todos os dias da semana.

Em seus 71 anos de existência, o Mercadão projetado por Ramos de Azevedo nunca havia passado por uma reforma desse porte. O projeto faz parte do Programa de Revitalização do Centro de São Paulo - iniciado pela Prefeitura em 2001, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) -, que envolve outras iniciativas como a reurbanização da Praça do Patriarca, a recuperação do Parque D. Pedro (incluído o futuro Museu da Cidade no Palácio das Indústrias) e do Edifício São Vito, a Galeria Cultural Olido e a transferência para a região central de quase todos os órgãos públicos municipais. As próximas etapas das obras no Complexo de Abastecimento Cantareira incluem intervenções nas Torres C e D do Mercado Municipal (com patrocínio da Petrobrás); reforma do mercado Kinjo Yamato (em frente ao Mercado Municipal, na Rua da Cantareira) e sua integração ao Mercadão; construção de uma passarela com piso rolante unindo o Museu da Cidade (antigo Palácio das Indústrias) ao Edifício São Vito e ao Mercado Municipal; execução de rede externa de esgoto em parceria com a Sabesp; além de pequenas obras para instalação dos restaurantes no mezanino e nas Torres A e B, que ficarão a cargo dos comerciantes vencedores dos processos licitatórios nestes respectivos espaços.

Nesta 1ª etapa das obras, destacam-se os seguintes aspectos da reforma do Mercadão:

- CONSTRUÇÃO DE UM MEZANINO

Espaço de 2.000 m2, servido por dois elevadores, duas escadas rolantes e escadas comuns, que abriga oito restaurantes de cozinhas variadas: árabe, brasileira (dois), italiana, ibérica, japonesa, frios e queijos, e pastéis e salgados. Além do piso em madeira, foram implantados sete vãos de piso de vidro laminado e temperado sobre as ruas do mercado, com o objetivo de manter a característica original do edifício de iluminação natural vinda de cima e atingindo a área sob o mezanino. Cada vão, de 372 m2, é formado por placas de vidro transparente e uma película de PVB (que aumenta sua resistência e o torna translúcido). Essa estrutura foi dimensionada para suportar até 500 kg/m2, respeitando-se o coeficiente de segurança. O guarda-corpo de todo o entorno também é de vidro, com o apoio em aço inox. Há sanitários masculinos e femininos em cada lado deste andar, incluídas as instalações para portadores de necessidades especiais.

- CONSTRUÇÃO DE UM SUBSOLO

Esta área de 1.600 m2 conta com sanitários femininos e masculinos e fraldário, disponíveis aos freqüentadores (inclusive os portadores de deficiência), além de sanitários, vestiários e refeitório para os funcionários do Mercado. O local promoveu também melhorias nas instalações elétricas e hidráulicas, por meio da implantação de uma nova rede dentro de todas as exigências técnicas (executada em galerias de utilidades em concreto pré-moldado para tubulação da infra-estrutura e/ou integrada em dutos envelopados e protegidos com piso de alto tráfego), o que facilita a manutenção e elimina a poluição visual até então verificada em todo o Mercado. O projeto das novas instalações elétricas incluiu a criação de uma subestação com três transformadores e caixas de medição de energia individuais para cada box do Mercado, o que não havia anteriormente. Implantou-se também rede de abastecimento de gás encanado para as lanchonetes e restaurantes (os boxes utilizavam botijões de gás) e foi regularizado o fornecimento de água (antes da reforma ainda se dava por meio de caminhões-pipa). Também foi executada nova rede de esgoto, que era precária. Pela localização do Mercado muito próxima ao Rio Tamanduateí, o subsolo contou com técnicas especiais de engenharia para ser construído, seguindo as normas de segurança necessárias para não colocar em risco a estrutura do edifício.

- RESTAURO DO SALÃO DE LEILÕES E TORRE B

O Salão de Leilões era o espaço onde se realizavam os leilões de produtos e sua comercialização no passado. De um tempo para cá, porém, passou a abrigar, inadequadamente, boxes do setor atacadista, e servir como vestiário de funcionários do Mercado, o que deteriorou seus elementos de composição e mascarou sua qualidade estética, roubando do local toda a sua expressão arquitetônica. Com o intuito de devolver ao Mercado seu espaço mais nobre e elevá-lo à categoria de Salão de Eventos, partiu-se para sua restauração integral, sob a supervisão do Departamento de Patrimônio Histórico (DPH). Os painéis de azulejos - provenientes da Alemanha e da Bélgica - estavam, em grande parte, destruídos. Portanto, foi necessário fazer um trabalho de recomposição, preservando os elementos ainda remanescentes e complementando-os com peças executadas artesanalmente para esse local. O piso e os rodapés do mezanino do Salão, de origem norueguesa, também foram recuperados, pois estavam comprometidos. Foi necessária a restauração de algumas peças e a substituição de outras por peças executadas especialmente para essa finalidade. O mesmo procedimento foi adotado com relação à escada de mármore carrara. No telhado, as telhas de vidro foram substituídas por placas de vidro.

Localizado no térreo da Torre B do Mercado, o antigo Salão de Leilões será avistado pelos freqüentadores que estiverem no restaurante a ser inaugurado em seu mezanino (1º andar da Torre B). A padaria e a choperia ficarão no térreo e no 1º andar da Torre A.

- RECUPERAÇÃO DOS VITRAIS

O projeto dos vitrais do Mercado é do artista plástico russo Conrado Sorgenicht Filho e constitui o elemento artístico mais valioso do edifício. São cinco vitrais temáticos, coloridos, que retratam atividades de agricultura e pecuária da São Paulo do fim dos anos 20, além de outros mais simples, transparentes com detalhes coloridos e temas geométricos. Durante as obras, todos passaram por uma cuidadosa restauração, que incluiu a substituição dos vidros quebrados ou trocados com o tempo de forma inadequada (os vidros atuais vieram da França), o refazimento ou fixação das ligas de chumbo que unem os pequenos pedaços do vidro e a recuperação de sua estrutura de fixação.

- RECUPERAÇÃO DA FACHADA E PINTURA DO PRÉDIO

Para devolver ao Mercado sua cor original, seguiu-se a recomendação do DPH e, a partir daí, foram realizadas prospecções de pintura externa e internamente, com a remoção de todas as camadas de tinta existentes por meio de bisturi, até se chegar às cores e à composição dos acabamentos originais do edifício. A tinta empregada nesta restauração foi artesanal - dióxido de rutila -, composta por elementos minerais que permitem às paredes "respirar", ou seja, não deter qualquer umidade remanescente ou futura. Também foi refeita a argamassa nos locais onde ela estava comprometida pelas infiltrações, com a mesma composição da argamassa original. Internamente, o procedimento foi o mesmo, mas utilizou-se tinta mineralizada industrial de "know-how" alemão, com diferenciação de cores conforme originalmente existia. Antes da pintura, porém, realizou-se a recuperação estrutural de 6.000 metros de trincas na laje de cobertura do Mercado, para conter o avanço das infiltrações que estavam ocorrendo por falta de manutenção no prédio. Essas trincas foram impermeabilizadas com a aplicação de gel de poliuretano, que se expande nas fissuras e preenche o vazio. Também os capitéis de gesso (estrutura no alto das colunas do edifício) estavam comprometidos pelas infiltrações e precisaram passar por total restauração e recuperação de sua cor original.

- REFORMA DO TELHADO E TROCA DO PISO

O telhado do Mercado Municipal também passou por reforma, com a recuperação das calhas, reconstituição dos caimentos, impermeabilização e nova linha de condutores de águas pluviais, visto que a rede então existente estava totalmente comprometida por entupimentos e quebras, o que causava infiltrações nas paredes e danificava a pintura. Também foi feita a revisão do telhado, com lavagem das telhas de fibrocimento e as de vidro, sendo substituídas as danificadas. Foram feitas pingadeiras para proteção das platibandas e impermeabilização com manta asfáltica da laje do Salão de Leilões.

O piso de toda a parte interna do Mercado foi trocado, com a colocação de placas de granito flaneado.

- MUDANÇA E TROCA DA ILUMINAÇÃO

Na área interna do Mercado, buscou-se uma forma de iluminação eficiente e que valorizasse não só os produtos comercializados no local, mas também os elementos arquitetônicos da estrutura do edifício. Assim, as lâmpadas mistas de 125 W cada (durabilidade de 4 mil horas) foram substituídas por lâmpadas de vapor metálico de 150 W cada (vida útil de 15 mil horas), instaladas em luminárias pendentes de vidro prismático, com distribuição de luz direta e indireta. Nos vitrais, que não eram iluminados, a iluminação adotada foi com projetores focalizando-os com lâmpada de vapor metálico de 70 W. A maior visualização dos vitrais se dá do lado de fora, criando um antagonismo com a luz natural, quando os mesmos são visualizados melhor do lado de dentro do Mercado.

Na parte externa do Mercado, existiam projetores de vapor de sódio de 400 W que auxiliavam na iluminação de segurança da área externa e estacionamento, porém sem qualquer pretensão de valorização do edifício. O objetivo dessa nova iluminação, denominada "iluminação monumental", é valorizar o Mercado por sua identidade arquitetônica, enfatizando elementos de pilares, arcos e molduras. Para tanto, foi feita iluminação pontual e focal nesses elementos, por meio de luminárias embutidas no piso, com lâmpadas de vapor metálico de 70 W cada. Também está sendo utilizada no Mercado Municipal, pela primeira vez no Brasil, a lâmpada de vapor de sódio branca na base de todos os pilares dos acessos principais, criando um pórtico de luz para destacar as entradas do edifício.

- REFORMA DAS CALÇADAS E DO ESTACIONAMENTO

A reforma dos estacionamentos foi feita simultaneamente à reforma do Mercado, com destaque para a construção da doca - área especial que facilita o acesso de caminhões para carga e descarga, com piso dimensionado para o tráfego de veículos pesados, uma vez que essa área é a cobertura do subsolo. Os estacionamentos da Rua Mercúrio e Assad Abdalla foram repavimentados em piso de concreto, com redistribuição das vagas e demarcação para portadores de deficiência. Da mesma maneira, as calçadas foram refeitas em todo o entorno do Mercado, garantindo-se a acessibilidade dos portadores de necessidades, até então inexistente.

Números do Mercado:

1.600 funcionários trabalham no Mercado

1.000 toneladas de alimento são movimentadas por dia (atacado e varejo)

281 é o total de boxes

14 mil visitantes circulam por dia (durante as obras, verificou-se que esse número não diminuiu e, em alguns momentos, até mesmo elevou a média das vendas dos boxes)

90 caminhões, em média, chegam e saem do Mercado por dia com mercadorias

1.200.000 litros de água é o gasto mensal do Mercado

500 kw/h é o gasto mensal do Mercado (com previsão de aumento para 780 kw/h depois da reforma)

Das 6h às 17h e das 22h às 6h é o horário de funcionamento de segunda a sábado. No domingo, o Mercado abre das 7h às 13h

Números da obra:

Até 750 operários trabalharam na obra 24 horas/dia, 7 dias por semana, em dois turnos: 500 durante o dia e 250 à noite

12.600 m2 é a área construída do mercado, sendo incorporados mais 8.000 m2: 50% construídos e 50% reaproveitados

7 elevadores passam a integrar o Mercado, além de duas escadas rolantes e duas escadas convencionais

35.000 sacos de cimento foram utilizados na reforma

413.000 quilos de aço foram consumidos na estrutura do novo mezanino

250 latas de tinta foram usadas para pintar 26.000 m2 de paredes

5.000 m3 de terra foram retirados na construção do subsolo (equivalente a mais de 1.000 caminhões)

180 quilômetros de cabos de energia foram instalados

1.000 pontos de iluminação (interna e externa)

Mais de 8.000 m2 de granito foram utilizados em todo o piso do Mercado

1.400 m2 de vidros foram utilizados no piso do mezanino (372 m2), janela e cobertura

1.700 m2 de madeira foram colocadas no piso do mezanino

350 toneladas de estrutura metálica no mezanino

10.000 m2 foram feitos de revisão do telhado

16.000 m2 de pintura de paredes e teto

25 vitrais foram lavados e recuperados, sendo cinco temáticos

4.400 m3 de demolição

4.500 m3 de concreto utilizados na obra

VISITAÇÃO E INAUGURAÇÃO OFICIAL DA REFORMA DO MERCADÃO:

Dia: 26/08 (quinta-feira)

Horário: 15h30

Local: Mercado Municipal Paulistano (ponto de encontro no portão de entrada da Rua da Cantareira, 306, com acesso à Rua H do interior do Mercado)

Mais informações:

SEMAB - Secretaria Municipal de Abastecimento

Assessoria de Imprensa

Agnes Augusto

Tels: 3337-2715 / 3333-6311 ramal 20

E-mail: aaugusto@prefeitura.sp.gov.br

Site: http://portal.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/abastecimento



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