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ESCULTORES E SUAS OBRAS

VICTOR BRECHERET (Farnese, Itália, 1894 + São Paulo, 1955)

Estudou no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Em 1913 partiu para Roma, onde foi aluno de Arturo Dazzi, tendo obtido três anos mais tarde o primeiro lugar na Exposição Internacional de Roma com sua obra "Despertar".

Recebeu, ainda, a influência de Bourdelle, Mestrovic Brancusi e Rodin. Tendo retornado ao Brasil executou a escultura "Eva", inspirado em Rodin. De volta a Europa, graças a uma pensão do governo participou do Salão de Outono de Paris tendo sido seu trabalho "Templo de Minha Raça" premiado dentre obras de mais de 4.000 competidores.

Em 1923 foi novamente premiado no Salão de Outono com a belíssima escultura, em granito, "Sepultamento", e, no ano seguinte expôs "Portadora de Perfume", modelada em mármore em diversos volumes esféricos, executada por Brecheret com a mesma força expressiva que caracterizou mais tarde suas obras monumentais. Um dos fundadores do Salão das Tulherias, em Paris.

Em 1922 participou da Semana da Arte Moderna. Na I Bienal de São Paulo recebeu o prêmio de Melhor Escultor Nacional. Sua obra "Fauno", que lembra Bourdelle, em granito (3,40m e pedestal de 1,72m) que modelou num corajoso ímpeto pagão, melhor se ajusta no ambiente silvestre do Parque Siqueira Campos, onde se encontra.

O "Monumento às Bandeiras" (1953), em granito, com 40m de comprimento e figuras de 8m de altura é considerado o mais belo dos nossos monumentos. O "Monumento ao Duque de Caxias", em bronze, é a mais gigantesca estátua eqüestre das Américas, e talvez do mundo (15,88m e pedestal de granito de 25,28m, num total de 41,06m).

Para as necrópoles paulistanas plasmou obras que encantam, onde alia o refinamento da arte clássica ao vigor da arte moderna. Os "Grandes anjos" (bronze) no Cemitério São Paulo, e escultura em mármore no túmulo da poetisa Francisca Júlia da Silva, no Cemitério do Araçá, demonstram a genialidade do artista.

No grupo escultórico em granito "Sepultamento" (2,26m x 3,65m) executado em 1923 para o jazigo de dona Olívia Guedes Penteado, no Cemitério da Consolação modelou o artista a cena da Pietá (Cristo e sua mãe) e as santas mulheres: Maria Madalena, Maria de Cleofas, Santa Isabel, que era prima de Nossa Senhora, e uma quarta mulher, que não consta na Bíblia, mas que talvez seja uma alusão à Dona Olívia, que era a sua protetora. Essas figuras seqüenciais mais tarde foram adotadas pelo artista no "Monumento às Bandeiras".

Certa vez Brecheret resolveu, com sua arte, chegar mais perto das sociedades primitivas e criou algumas formas de alto valor mítico aproveitando pedras arredondadas, em seu estado natural, transformando-as em peças que expressassem um motivo nacional. E plasmou "Índia e o Peixe", "Veado enrolado", "Zebu", "Drama Marajoara", "Mãe Marajoara", "Virgem Indígena", "Casal de Pombos".

Brecheret, quieto, modesto, trabalhador infatigável, modelou desde gigantescas esculturas até pequenas estátuas e pedras que encontrava em seu caminho. Sua glória está na arte que concebeu. Com ela, sem o saber, construiu seu próprio monumento. Assina V. Brecheret.

Foto (topo): Grande Anjo em Bronze - Cemitério da Consolação, Quadra nº 44, Terreno nº 150

Foto (à direita): Sepultamento em Granito - Cemitério da Consolação, rua nº 35, Terrenos nº 1/2


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